Oficinas Aprovadas

OFICINA 01 - Laboratório das Memórias e das Práticas Cotidianas- LABOME: arquivos orais e audiovisuais.

Wellingta Vasconcelos Frota – Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA
Vicente de Paulo Sousa – Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA

– Arquivo, acervo, documentos e patrimônio são geralmente categorias imaginadas como pertencendo a uma espécie de algo palpável, que possa também idealizar algum tipo de ostentação histórica, fenomenal, heroica. Dessa forma, ficam de fora as narrativas, experiências individuais e coletivas de um povo e suas práticas culturais, subjetividades e formas de fazer e viver. Pensando nisso, é que o Laboratório das Memórias e das Práticas Cotidianas-LABOME surgiu com a proposta de trabalhar priorizando também essas experiências e narrativas, vendo-as como artefatos patrimoniais de um grupo, cidade, bairro, enfim, um povo. Além do acervo documental já conhecido, o laboratório trabalha também com o audiovisual e a fotografia como mecanismo de pesquisa e experiência na construção de relações entre pesquisados e pesquisadores, ajudando a contar histórias, vivências e formas de se relacionar com a cidade, sobretudo, a periferia, que geralmente é deixada de lado nas narrativas sobre o urbano enquanto patrimônio adquirido e preservado.
Existe no LABOME uma reciprocidade de interesses entre pesquisadores cadastrados e o Laboratório, no sentido de constituir seu acervo permanente. Para isso, o LABOME apoia projetos de pesquisa de professores/pesquisadores, juntamente com os bolsistas de iniciação científica que, por sua vez, deverão cadastrar seus projetos de pesquisa e conseguir a autorização por escrito de suas
entrevistas e imagens para compor o acervo permanente do Arquivo. Funciona desde 2003 visando criar na Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA uma política de arquivo voltada para o apoio à pesquisa, ensino e extensão. Atualmente o LABOME tem um acervo digital e impresso de entrevistas, transcritas e revisadas, tudo catalogado para servir de suporte para pesquisas de temas variados. Vale
destacar que todas as entrevistas têm a autorização dos respectivos depoentes assinada através da Carta de Cessão de Direitos, como forma de resguardar pesquisadores e pesquisados conforme orienta o Artigo 5º da Constituição Federal.
O LABOME trabalha também com acervos de imagens em vídeo e fotografias.

Objetivo
Expor as atividades de catalogação, armazenamento, cuidado e aquisição dos acervos orais e audiovisuais do LABOME. Metodologia Apresentação de slides expondo as dinâmicas de pesquisas, bem como a rotina das tarefas cotidianas de bolsistas e pesquisadores do LABOME na construção do acervo oral e audiovisual, não descartando também o uso de uma bibliografia que fundamenta a proposta do
referido laboratório. Nesse sentido, as experiências do Laboratório das Memórias e das Práticas Cotidianas – LABOME nos servirão de apoio para trabalhar essa metodologia de forma mais acurada, visto que, o referido laboratório é um arquivo público de documentos especiais vinculado ao curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual Vale do Acaraú – da UVA, mas está a serviço de toda a comunidade acadêmica que deseje consultar seu acervo.

Bibliografia
ALBERTI, Verena. História oral: a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1990.
FERREIRA, Marieta de Moraes; AMADO, Janaína. Usos e Abusos da História Oral. 8ª ed., Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006

OFICINA 02 - Oficina de podcasts: da ideia à produção independente

Brenno Demarchi – UFSC
Wesley Vaz Oliveira – UFMG

A oficina tem como objetivo geral proporcionar aos participantes uma introdução a respeito dos processos de produção de podcasts, a partir das discussões sobre essa mídia, horizontes de atuação e elaboração de conteúdos e seu uso criativo como uma possibilidade de compartilhar saberes e práticas diversas com poucos conhecimentos prévios e/ou recursos tecnológicos.

Metodologia: Serão três encontros com duração de até 2 horas, em que a primeira parte será expositiva e a segunda será dedicada para repassar os exercícios práticos do próximo encontro e também para que os/as participantes possam tirar dúvidas e conversar a respeito
das suas propostas. Como forma de avaliação, será proposto uma conversa sobre as expectativas e considerações finais sobre a participação na oficina.

Primeiro encontro:

* Apresentação dos participantes;
* Conversa sobre a indústria criativa, culturas híbridas e diluição de fronteiras;
* Debate sobre o contexto de produção de podcasts no Brasil: história e possibilidades;
* Apresentação de possíveis formatos de podcast com exemplos já existentes;
* Elementos visuais e sonoros de um podcast (capa, descrição, músicas e efeitos sonoros etc.);
* Exercício para elaborar a identidade do podcast (tema, duração, imagem de capa e do episódio, identidade sonora).

Segundo encontro:

* Conversar sobre a feitura do exercício do último encontro;
* Continuar o debate sobre o contexto de produção de podcasts no Brasil;
* Os tipos de roteiro ou pauta: – Apresentar a proposta de exemplo episódio: “As transformações no rap brasileiro”
* Como fazer uma pesquisa para roteiro – Técnicas de pesquisa e escrita de roteiro; – Contextualizar a produção da produção musical
nas periferias;
* Preparativos para a gravação – Formatos e propriedades de áudio; – Tipos de equipamento de gravação; – Acessórios de gravação;
* Exercício para elaborar a pesquisa, o roteiro/pauta e gravar o episódio.

Terceiro encontro:

*Conversar sobre a feitura do exercício do último encontro;
* Técnicas de edição de áudio: mixagem e masterização – Procurar e baixar os elementos sonoros mencionados no roteiro (músicas, efeitos sonoros, trechos de entrevistas etc.); – Criar o projeto, inserir os arquivos e montar a sequência; – Mixar as trilhas de áudio; – Fazer a masterização e exportar/renderizar o áudio;
* Publicar episódio – Fazer login no serviço de hospedagem de áudio; – Criar novo episódio, fazer upload, inserir descrição e confirmar publicação;
* Exercício para editar e publicar o episódio.

OFICINA 03 - Universo de si: corpo vibrando sons e imagens

Yvana K N C Crizanto – USP

O som e a imagem, e suas transitoriedades, integram o ser humano como dispositivos de constituição da identidade. Em uma sociedade que convive com a desenfreada, e cada vez mais disponíveis, diversas plataformas web móveis e multifuncionais. Diante dessas possibilidades, propõe-se uma reflexão sobre como o ser contemporâneo, em uma rede cada vez mais conectada e interativa, se relaciona, gera e interpreta as imagens e vozes circulantes em grande velocidade na rede. Entre selfies, voice messages e o digital marketing, como este homem se
enxerga nessa sociedade, a partir da avalanche de imagens e sons – seja em materialidade ou no silêncio, ou de olhos fechados – como vê a si mesmo. A cultura de cada pessoa diante da urbanização e uso da tecnologia em suas relações, a contemporaneidade tem sido marcada por intensos processos de hibridização, misturas de materiais e meios em sobreposição crescente permite construir uma identidade que é repassada aos outros como “esse sou eu”, e por outra via, ela faz uma leitura, decodifica mensagens que esses outros enviam em termos de
identidade. “Amplitude uma terceira dimensão do som pela ilusão da perspectiva”.
“Timbre a cor do som”. “O som corta o silêncio (morte) com sua vida vibrante”. “O silêncio é de ouro”! As ideias são de Schafer (1991), em Ouvido Pensante, inspirações para etapa atual da nossa experimentação sensorial com o universo da identidade de cada um. Trata-se da fase de reconhecimento de si mesmo e do outro, por meio de dinâmicas de contato, de gravações de áudio e experimentações de imagem. Cantar e ouvir a si mesmo, se auto-fotografar, relatar experiências e impactos na própria perspectiva. Para esta fase foram previstos: dinâmicas de
apresentação, diálogo sobre “Paisagem Sonora” e “A fotografia como revelação de si mesmo (Autorretrato)”, dinâmicas sobre “Luz”, “A voz executa o trabalho do Ser Humano – Diagnóstico de tipos de vozes”, “Cantar com voz, corpo e alma”, exercícios de respiração diafragmática. De prática individual houve gravações de paisagens sonoras e do próprio canto, e produção de autorretrato. Quando falamos de particularidades de luz e som vieram palavras como natureza, nascimento, escuridão, silêncio, cor. A oficina pretende promover essa construção: uma viagem em busca das possibilidades expressivas que habitam a identidade entre a imagem e o som, com técnicas de comunicação, fotografia e canto.

OFICINA 04 - Criação de portal online para a difusão e venda da produção artística dos povos indígenas do Sul da Bahia

Alicia Araujo da Costa – Universidade Federal do Sul da Bahia

Diante do contexto atual da COVID-19, os povos indígenas do sul da Bahia se viram numa situação inédita e dramática: estão impedidos, por tempo indeterminado, de vender seus artesanatos no mercado turístico, modalidade que se configura, desde a década de 1970, como a principal atividade econômica da região também conhecida como “Costa do Descobrimento”. Os prejuízos econômicos do impacto da
pandemia para essas comunidades, majoritariamente artesãs, são difíceis de estimar. Bastaria afirmar que, desde o início da pandemia, as comunidades que antes praticavam a atividade etnoturística, ecoturística e o turismo de base comunitária, atualmente obtém sua renda unicamente de auxílios governamentais e da ajuda de terceiros, através de campanhas solidárias, vakinhas etc. Fontes de renda voláteis, incertas e insuficientes. Com a paralisação da atividade turística, contudo, as comunidades têm conseguido dedicar mais tempo na produção da sua arte. A intensa produção e esse contexto do “novo normal” tem propiciado o surgimento de novas técnicas artefatuais, novos adereços e novos artefatos. Diante desse contexto, entendemos ser não somente oportuno como, sobretudo, urgente que se sejam criados novos canais de venda, difusão e valorização para o escoamento da produção artística dessas comunidades indígenas, com o foco na geração de renda e na afirmação cultural dessas etnias (que inicialmente são as Pataxó, Pataxó Hahahae e Tupinambá). A alternativa possível em tempos de distanciamento social é justamente a internet, que tem se mostrado eficiente na divulgação e venda de “etnomercadorias” (COMMAROFF, 2011) nas redes sociais. A iniciativa de um portal na internet tem o intuito de reunir essas iniciativas que estão "soltas" nas redes sociais em um só lugar, criando uma especie de catálogo virtual de artes indígenas da Bahia. O portal, além de facilitar a navegação do usuário por uma diversidade grande de obras, possibilitará adquirir artes indígenas de diferentes etnias em uma só compra, por um preço mais competitivo, já que não haverá atravessadores no processo. Esse é um diferencial importante, inclusive. O usuário estará adquirindo diretamente da comunidade que a produziu, que receberá o valor integral da venda. Além disso, a veiculação de cada obra não se dará
esvaziada do contexto cultural, social e político. Ao contrário, cada peça de arte é embaixadora de um povo, cuja história, luta e cosmologia será narrada para o usuário, a partir da construção de conteúdo audiovisual feito pelas próprias comunidades e seus/suas artistas. A iniciativa, que é coletiva e colaborativa, será articulada por universidades, institutos federais e entidades indígenas da região e prevê o protagonismo da juventude das comunidades, público que possui maior familiaridade no uso das novas tecnologias digitais. A metodologia de criação do portal de arte dos povos indígenas da Bahia prevê a formação de duas sessões. Na primeira sessão se dará a elaboração do escopo do projeto e a formação dos GTs e das equipes responsáveis por cada atividade, desde a criação, a logística de operação até a identidade visual do portal. A segunda sessão destina-se a elaboração do edital para convocação de ateliês, comunidades artesãs, associações,
cooperativas indígenas do sul da Bahia etc para integrar ao projeto.

OFICINA 05 - Isola-mentes Com_pulsives in Casa: Corpografias, Memóriais e a Cultura Digital

Rosilene da Conceição Cordeiro – SEMEC/ SEDUC

O trabalho consta de [a]presentar vivencias de uma casa utilizada como residencia artistica da atriz/performer, que estuda memoria cultura em relação a performance, no ambito do isolamento social compusivo por 'força' do coronavirus/covid 19. Compartilharemos performances fotograficas entendidas/conceituadas como corpografias memoriais (cordeiro 2018) refletindo como a artista desenvolve seu
trabalho de-formativo/invasivo/interventivo em dialogo com o conteto sanitário e a cidade entre seus diferentes atores sociais; convidando os participantes a brincarem de ‘ser’ e ‘mostra-se fazendo’ em momentos de registros pessoais. A proposta se move por um encontro em que os temas fotografia/artes cenicas/e redes sociais serão explorados de forma lúdica na relação corpo/memoria/performance/cultura contemporanea amazonica percorrendo conceitos tais como performances cotidianas (chechner 2003) nas rotinas desta casa periferica na cidade de belém-pa, o que a atriz vem nominando corpografias memoriais (cordeiro 2016; 2018), corpomidia (grainer 2005) e cultura (hall 2005).

OFICINA 06 - Instrumentos teóricos e tecnológicos para Filmes Etnográficos

MINICURSO

Glauco Machado e Coletivo Pé de Figo

Na produção de filmes etnográficos se faz necessário conhecimentos a respeito de fundamentos teóricos e instrumentos tecnológicos. Pensando nisso, esse minicurso fornecerá um deslocamento entre fatos, princípios da Antropologia Visual e experiências de como utilizar determinados equipamentos para produção audiovisual. Além disso, comentará sobre interfaces digitais de manipulação de som e imagem.